Dez anos de governo do PT. Para quem a estrela brilhou?

GUSTAVO SIQUEIRA
Presidente Municipal do PSTU
   
   No dia 09/05 às 19h o PSTU de Campos dos Goytacazes promoverá um debate sobre o que aconteceu nos 10 anos em que o PT está no governo federal. Essa iniciativa está relacionada com o lançamento de uma cartilha que os petistas e Lula vêm promovendo em seminários por todo Brasil. Nela há uma fábula de que a pobreza diminuiu no Brasil, mas, o pior é que até agora só quem a tinha contestado era a desmoralizada direita tradicional (PSDB e DEM).
    Com esse debate, nós do PSTU queremos mostrar por meio de dados e estudos promovidos pelo ILAESE (Instituto Latino Americano de Estudos Socioeconômicos) que a vida no Brasil mudou apenas para um setor da população: a burguesia. Queremos mostrar que apesar da sensação de melhora sentida pelos trabalhadores são as empresas nacionais e multinacionais que continuam governando esse país e lucrando como nunca, como bem destacou Lula. Do outro lado os trabalhadores, as trabalhadoras e a juventude sofrem com o caos da saúde, da educação pública e com o aumento das opressões.
    Na contramão das lutas em todo o mundo, que sacodem a Europa e o Norte da África, o governo brasileiro do PT tem sido um importante colaborador para o fortalecimento de Israel, através do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre o Estado sionista e o Mercosul de 2010. Enquanto o mundo reivindica uma Palestina livre, contra o massacre sionista ao povo palestino, pelo fim do Estado de Israel, Dilma e o PT tem demonstrado que há muito tempo abandonaram a causa palestina, e recentemente até os governos estaduais, como Tarso Genro (PT/RS), tem se somado assinando contrato com companhias militares de Israel.
    Além disso, o PT ainda mantém a vergonhosa Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH), sob o pretexto de realizar uma missão humanitária, mas, as tropas não ajudaram na construção de esgoto, no abastecimento de água ou na saúde do povo haitiano. No Haiti, as multinacionais pagam salários de U$60,00 ao mês (R$140,00) para produzir jeans e vender no mercado americano. As tropas brasileiras garantem a estabilidade do país para essas multinacionais.
    Muitas das políticas externas do governo brasileiro têm sido justificadas com o argumento de que o Brasil estaria se inserindo de forma autônoma e independente na ordem mundial globalizada. Mas, essa situação não resiste a qualquer análise séria da realidade. Se a década de 90 foi marcada pelo neoliberalismo que privatizou as estatais, entregou a siderurgia, a mineração, o setor de energia, a telefonia e os bancos para as multinacionais, os 10 anos de governo do PT aprofundaram a subordinação e a dependência do Brasil ao imperialismo.
    No gráfico abaixo é possível perceber que os investimentos estrangeiros e as remessas de lucros para exterior aumentaram durante os 10 anos de governo do PT. Isso aconteceu porque os governos Lula e Dilma mantiveram as taxas de juros altas e que viabiliza a constante entrada de capital especulativo de multinacionais que tem por objetivo repor os déficits de entrada e saída de capitais do país. Esse mecanismo explica o fato de o Brasil ainda não ter sido atingido pela crise econômica mundial. O fato é que as indústrias multinacionais que dominam o país têm substituído cada vez mais a produção pela importação. Com isso o Brasil se mantém como um país primário-exportador, abastecendo a China com minério de ferro e soja, para que aquele país possa se manter como a fábrica do mundo. Ao contrário da propaganda petista, o Brasil não é um país soberano nos dias de hoje. O governo Dilma cumpre todas as exigências das multinacionais. Quando decidirem parar os investimentos, o país afundará na recessão como parte da crise mundial.
A vitoriosa marcha realizada em Brasília dia 24/04, que contou com mais de 25.000 pessoas, mostra que os trabalhadores querem ter voz própria. Uma voz necessária dizendo que uma parte importante dos trabalhadores deste país pensa diferente do governo Dilma. Ao contrário do que diz o governo, continua existindo uma enorme injustiça social no Brasil. Não estamos satisfeitos com os salários que recebemos. Não aceitamos a flexibilização trabalhista contida nos Acordos Coletivos Especiais e exigimos a anulação da reforma da previdência. Não concordamos com a paralisia da reforma agrária e dizemos não ao apoio do governo às grandes empresas, ao agronegócio, bancos e multinacionais.
    Por isso tudo é preciso dizer que 2014 para os candidatos dos grandes partidos já começou. No entanto, manter o falso cenário de polarização entre o PT e o PSDB só interessa aos grandes grupos econômicos nacionais e internacionais. O PT aplicou a mesma política econômica de FHC de beneficiar os banqueiros e empresários, agora com a aproximação dos efeitos da crise mundial ao Brasil, Dilma se antecipa em atacar os direitos dos trabalhadores e, assim, garantir os lucros dos patrões.
    Em 2014 é preciso construir um terceiro campo. É preciso construir uma verdadeira alternativa dos trabalhadores, que mostraram disposição de buscar esse caminho com a Marcha a Brasília dia 24 de abril. O PSTU se coloca à disposição da construção de uma Frente de Esquerda, que seja classista e tenha um programa socialista. Chamamos especialmente o PSOL a um debate fraterno sobre programa, política de alianças e financiamento de campanha. É preciso que os companheiros do PSOL não repitam os erros de Macapá e do Rio Grande do Sul, onde ampliaram as alianças ao DEM, PTB e PSDB no primeiro caso, e receberam dinheiro da Gerdau no segundo.
    Acreditamos que assim como nas campanhas que elegeram Amanda Gurgel como a mais votada da história de Natal/RN, Cleber Rabelo como primeiro vereador operário da construção civil de Belém/PA, e da campanha que em Aracajú/SE, levou Vera Lúcia a 6,6% dos votos naquela capital é possível construir um programa classista e socialista, que não recebe dinheiro de empresários e latifundiários.
    É acreditando na construção desse campo que convidamos você filiado do PSTU em Campos dos Goytacazes, você simpatizante, você ativista dos movimentos sociais, você que não se conforma com as injustiças em nosso país a vir debater conosco. Queremos debater o que significaram os 10 anos de governo do PT para a classe trabalhadora e a juventude, mas, queremos também reafirmar a necessidade da construção de uma alternativa para os trabalhadores em 2014 e cotidianamente nos sindicatos e DCE’s. Queremos convidar você para discutir e dizer que os sonhos não envelhecem, que como nos contam os ventos que sopram da Europa, do norte da África e do Oriente Médio o socialismo nunca foi tão atual!